
BRINQUEDEIROS Mercado, indústria e cultura do brincar
BRINQUEDEIROS • Coluna #001 • 05/2026 • por Marcio Goldoni
Sou daqui. Vamos conversar.
E aí, brinquedeiros e brinquedeiras…
A partir de hoje, toda semana, este espaço é nosso. Vou falar de brinquedo como quem nasceu dentro do assunto — porque foi o que aconteceu comigo.
Nasci e cresci em Laranjal Paulista. Entrei na publicidade em 1996, e nos últimos 25 anos não parei de trabalhar com o que esta cidade faz em volume e qualidade como nenhuma outra no Brasil: brinquedo.
Em 2022 criei o Toys PodCast, o primeiro podcast brasileiro dedicado ao setor. Neste ano cobri, pela segunda vez, a Spielwarenmesse em Nuremberg — a maior feira de brinquedos do mundo. E, pela terceira vez, a Abrin em São Paulo — a maior feira de brinquedos da América Latina, que frequento desde 1998. E esta coluna que começa hoje pode ser também a primeira do tipo no jornalismo brasileiro — até prova em contrário.
Então posso dizer com a autoridade de quem viu de perto: boa parte do que o Brasil brinca sai de um raio pequeno no centro desta cidade. E essa é uma das histórias menos contadas do interior paulista.
A cidade que o Brasil quase não vê
Laranjal Paulista tem pouco mais de 28 mil habitantes. E fabrica, por ano, cerca de 70 milhões de brinquedos — sendo mais de 20 milhões só de bonecas (segundo dados da Abrinq). É um dos três maiores polos em produção de brinquedos do mundo. Em 2021, a Assembleia Legislativa de São Paulo reconheceu oficialmente o município como Capital Estadual dos Brinquedos, pela Lei nº 17.474.
Para quem mora aqui, isso é rotina. Passamos pelos portões das fábricas todo dia. Conhecemos quem trabalha lá dentro. Sabemos o cheiro do plástico injetado e o ritmo que a linha ganha quando o segundo semestre do ano chega. Mas o paulistano comum, perguntado onde ficam as maiores fábricas de brinquedos do Brasil, chuta São Paulo, Guarulhos, Campinas. Ninguém acerta. É aqui.
O que esta coluna vai fazer
Toda semana um recorte diferente. Às vezes as novidades do setor que foram referência na Abrin ou uma tendência que vi na Spielwarenmesse e que vai chegar ao varejo brasileiro em alguns meses. Às vezes a análise de uma embalagem que mudou a percepção de um produto. Às vezes um pedaço de memória do setor — aquele brinquedo que marcou uma geração e que pouca gente se lembra que nasceu aqui. Às vezes uma provocação sobre importação, exportação, gestão, mão de obra, licenciamento, e-commerce.
Não é coluna de brinquedo. É coluna sobre o negócio do brincar.
Porque brinquedo nunca foi bobagem. Brinquedo é indústria pesada, design, logística, cultura — e é a primeira memória afetiva de praticamente todo mundo que está lendo este jornal agora. A International Toy Research Association (ITRA) já citou conteúdo produzido pelo Toys PodCast — sinal de que o que se faz em Laranjal é levado a sério por quem estuda o brincar fora do Brasil.
O que eu peço a você
Leia. Concorde. Discorde. Me puxe pela manga na rua e diga “escreve sobre tal assunto”. A coluna é minha, mas a conversa é nossa — brinquedeiros, brinquedeiras, pais, mães, avós, professores, funcionários de fábrica, empresários, vendedores, lojistas e apaixonados pelos brinquedos. Se tem brinquedo envolvido, é assunto nosso.
Me escreve: WhatsApp (15) 98114-0035 ou toysnews@toyspodcast.com.br.
Aqui, neste espaço, toda semana. A gente continua essa conversa na próxima.
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